Restaurar o Alentejo, a nossa identidade!

Neste dia 22 de abril, em que se comemora o Dia da Terra, o Movimento Chão Nosso exige uma alteração de políticas agrícolas e ambientais que promovam um rumo diferente para o nosso território. No ano em que o Instituto Nacional de Estatísticas promove a realização dos Censos, continuamos a assistir ao êxodo rural. São os seus, os meus, os nossos vizinhos, amigos e família que abandonam o território por falta de expectativas. O futuro é incerto, o trabalho é pouco e mal pago e a terra produz pouco alimento. Comemos o que nos trazem de lugares incertos e cultivamos produtos que não consumimos e que enviamos para longe. E esta é uma tendência crescente e, espante-se, estes investimentos são financiados por todos nós e também por si. Barragens, como o Alqueva, foram construídas com investimentos públicos que estão ao serviço de sociedades financeiras que produzem o que não necessitamos. Esta agricultura “tecnologicamente avançada” deixará um rasto de destruição: a desertificação do território, porque os seus habitantes vão embora, o empobrecimento da economia local, porque contrata os serviços no exterior, e uma maior dependência nacional de produtos agrícolas importados, porque não produzimos o que comemos. Esta subsidiarização permite alugar a bom preço os terrenos a terceiros, recebendo os proprietários uma renda fixa. Até para aqueles que gostariam de fazer agricultura, é vantajoso alugar o terreno para estas práticas, alienando o futuro das suas próprias terras. Muitos baixam os braços e desistem. O agricultor, como o conhecemos, o homem com ligação à terra que respeita a identidade do local está em vias de extinção. A terra – solo – é a matéria que nos permitiu sobreviver nos períodos mais difíceis. Com imaginação e sabedoria os nossos avós faziam muito com pouco. Já se perguntou de onde vêm os ingredientes para a sua cozinha? Por outro lado, a necessidade de reduzir a pegada ecológica dos nossos alimentos é defendida por muitos especialistas como parte de uma estratégia obrigatória para fazer face à emergência climática. Assim, é fundamental alcançar um equilíbrio entre o modelo de produção super intensivo e um outro modelo distinto, assente numa agricultura mais conscienciosa e assente em circuitos curtos de produção e comercialização. A Política Agrícola Comum pode desempenhar um papel importante na valorização dos pequenos agricultores residentes nos territórios, na promoção da qualidade da nossa alimentação e na proteção da biodiversidade. Um outro rumo implicará uma distribuição mais equilibrada dos fundos entre agricultores, reforçando as verbas que apoiem uma agricultura que auxilie na mitigação e adaptação às alterações climáticas e esteja alinhada com uma outra política ambiental. A tecnologia tem que ser colocada ao serviço destes desígnios e não apenas para aumentar a balança comercial. Não acredite quando lhe dizem que não há outro caminho!

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