Sobre

Chão Nosso é um movimento de residentes no Alentejo que estão preocupados com as alterações que têm surgido nas últimas décadas na paisagem e que está a comprometer o futuro do território.

Este Movimento constituiu-se como reacção à falta de respostas do Estado Português, nomeadamente das suas estruturas regionais, que não dão respostas às populações que continuam a assistir impotentes à hipoteca do futuro deste território.

São milhares de hectares de agricultura intensiva em contínuo com os prejuízos que daí advêm para a qualidade ambiental do território pelas quantidades massivas de pesticidas, herbicidas e fertilizantes que estas culturas utilizam. Para além deste problema, estas áreas são pobres do ponto de vista botânico, diminuindo a biodiversidade. A colheita mecanizada feita à noite vem ainda agravar mais a situação porque coloca em causa a avifauna, que pernoita nas árvores.A paisagem, o património e a nossa identidade está em risco, afastando populações que se vêm queixando de problemas ambientais, de saúde e da falta de emprego.

Quanto mais olival superintensivo for plantado maior será a pressão para o surgimento de fábricas de tratamento dos resíduos. Há diversas queixas de populações que vivem na envolvente destas unidades sobre as consequências ambientais das emissões atmosféricas e do arrasto do material pelo vento.

Este tipo de agricultura está a comprometer a identidade deste território, com uma alteração profunda da paisagem. Abatem-se espécies de grande valor cultural – azinheiras sobreiros e oliveiras centenárias perfeitamente adaptadas ao clima. Arrasam-se sítios e monumentos. E tudo isto para quê? Para valorizarmos o território? Para melhorarmos as condições de vida das populações? Não, antes pelo contrário.

As empresas que exploram estas monoculturas recorrem a maquinaria e a operacionais externos, trazem os produtos e bens necessários à produção e utilizam mão-de-obra externa e sazonal. Os resultados destes investimentos são acumulados por sociedades externas que os aplicam noutras regiões ou noutros países.

Depois a mão de obra a que recorrem é sazonal, com destaque para a imigrante. Pessoas mal remuneradas e com poucos ou nenhuns direitos que não se fixam, não se integram no território e não criam relações de confiança.

Ao contrário, as produções em regime extensivo, com culturas variadas, representam pequenos e médios agricultores que contribuem para a economia local num sistema de captação de recursos económicos para a região: contratam a maquinaria e mão-de-obra necessárias à produção, à poda e manutenção e à apanha dos frutos e voltam a investir localmente.